Uma semana de correria se passou. Notei um absurdo, o arroz ainda estava lá, no fogão. Fiquei aflita.

Cá entre nós, quem tem coragem de abrir uma panela dessas? Se é que pode ser chamada de panela, era uma bomba. Sem escolhas, tampei o nariz, a boca e quase os ouvidos também, fui em frente... Abri. Provavelmente lhe surgiu uma cena degradante, mas por incrível que pareça, foi foda, no sentido bom da palavra.
Eu estava imaginando algo com cara de sujo, muito fedorento; entretanto estava lindo. Pasmem. Eram tantas cores, tinha uma parte cor-de-rosa. Tinha verde, amarelo, alguns grãos meio azulados... Lindo! Claro que a maior parte estava peluda, mas era uma textura aveludada, algo delicado. Se não soubesse que era meu arroz da semana passada, compraria para ornamentar minha sala. Com relação ao cheiro, não vou dizer que era o odor mais agradável, mas mantendo alguma distancia não faria mal a ninguém.
Amável essa natureza. Quando eu pensava em um arroz agourento, me presenteou com um paraíso de cores. Surpreendente. Pode ter sido, também, uma traquinagem do tal grãozinho. Se fez passar por estragado, me manteve afastada, mas no final das contas, percebi sua beleza. Agora penso: Seríamos nós grãos de arroz?
Já subestimei muitas pessoas, vezes pela aparência, vezes por seu jeito e quem sabe por seu cheiro também... Por outro lado, muitas já me surpreenderam, mesmo depois de minha atitude precipitada. Com o tempo, pude ver as qualidades de cada uma (as cores!). Quem sabe as coisas não são realmente melhores à segunda vista? No caso do arroz não aconselharia comê-lo, mas é algo fascinante para se pensar.
Acho que todos deveríamos dar uma segunda chance, seja para a comida em decomposição ou para a pessoa que você julga ser estranha. Faça o test-drive. Depois tire suas conclusões.
